Política, democracia, religião: tudo junto não funciona

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No segundo turno das eleições presidenciais ficou claro o quanto o Brasil é despreparado para aceitar a democracia como: a) sistema político cujas ações atendem aos interesses populares e b) sistema político comprometido com a igualdade ou com a distribuição equitativa de poder entre todos os cidadãos (definições encontradas no dicionário Houaiss), bem como a interferência de crenças religiosas no campo político.

Durante a campanha do segundo turno um assunto muito comentado foi o PNDH-3, que embora tenha muitos defeitos e, portanto, vários motivos para não ser aprovado, foi condenado pelo partido de oposição basicamente por uma razão: o apoio a aprovação da lei que legalizaria a prática do aborto. O assunto é um tabu e não cabe a este blog discutir se é certo ou errado realizar tal procedimento. No entanto, vale ressaltar que líderes religiosos, como o Pastor Silas Malafaia, deram seu apoio ao candidato José Serra como represália ao PNDH-3, criado pelo governo Lula e aprovado pela então candidata Dilma Roussef.



No documento existem, pelo menos, mais dois projetos que deveriam ser aprovados: o da lei que garante a união civil entre pessoas do mesmo sexo e o que dá o direito de adoção por casais homossexuais. O argumento para a aprovação de tais projetos de lei é bastante simples e foi citado no primeiro parágrafo quando demos o significado da palavra “democracia”. Para não restar dúvidas quanto ao que estamos tentando dizer, basta saber que: se um sistema político está, realmente, comprometido com a igualdade entre os cidadãos, não há motivo (político) que impeça a união civil entre duas pessoas do mesmo sexo, nem a adoção, por elas, de uma criança. Quando leis como essas não são aprovadas, temos a sensação de que há mais religião dentro da política do que imaginamos.

1 Comentário:

Anônimo disse...

Antes e acima de tudo, eu sou ateu.

Mas o PNDH é sem duvidas uma tremenda sacanagem política. Primeiro porque, decisões como as que foram citadas no artigo, sobre aborto, casamento homossexual e adoção homossexual, deveriam ser decididas abertamente. Isso se é que somos mesmo uma democracia.

Para que existem referendos e plebiscitos? Na democracia, TODOS opinam, e é como o (infelizmente) o Pr. Malafaia disse: Opinar é uma coisa, discrinaçao é outra.

Eu tenho direito de não aprovar o homossexualismo, só não tenho o direito de prejudicar um homossexual por isso.

O problema é que se perde tempo denunciando o que é óbvio. Bater em uma pessoa é crime, seja ela hetero ou homossexual, seja ela homem ou mulher. É crime, conforme o código penal, qualquer tipo de violência ou discriminação, independente de quem seja o indivíduo, porque antes de ser um rótulo, o ser humano é cidadão.

Quem deve ser discriminado é só quem não é cidadão de bem, é quem viola a constituição e o código penal, e estes nós conhecemos por criminosos!

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